Você já imaginou como superfícies inteligentes podem transformar a propagação de ondas eletromagnéticas e ajudar a superar limitações das redes sem fio?
Nível de Conhecimento: Nerd
Resumo
As Superfícies Inteligentes Reconfiguráveis (RIS, do inglês Reconfigurable Intelligent Surfaces) são uma tecnologia emergente que permite controlar parte do comportamento das ondas eletromagnéticas durante sua propagação. Em vez de depender exclusivamente de transmissores e receptores para lidar com obstáculos e perdas de sinal, as redes assistidas por RIS procuram transformar o próprio ambiente em um elemento controlável da comunicação. Essa capacidade pode contribuir para ampliar a cobertura, melhorar a eficiência espectral e apoiar novas aplicações das futuras redes 6G. Entretanto, sua implementação ainda enfrenta desafios relacionados à estimação de canais, ao controle dos elementos da superfície, às perdas físicas e à integração com a infraestrutura de telecomunicações. Este artigo apresenta os fundamentos da RIS, suas principais aplicações, suas limitações e as possibilidades de integração com pesquisas em redes quânticas.
Palavras-chave: RIS; 6G; redes sem fio; metasuperfícies; propagação eletromagnética; estimação de canal; internet quântica.
1. E se pudéssemos programar o caminho do sinal?
Imagine que você esteja conectado ao Wi-Fi ou à rede móvel do seu celular. Já aconteceu com você, onde a conexão funciona bem em determinado cômodo, mas fica instável quando você se desloca para outro ambiente? Pois é, uma parede, uma estrutura metálica ou a própria disposição do edifício pode dificultar a propagação das ondas eletromagnéticas entre o transmissor e o receptor. Isso é bem óbvio, não é?
Nas redes sem fio tradicionais, parte desse problema é enfrentada por meio de técnicas de processamento de sinais, antenas direcionais, estações-base adicionais e repetidores. Essas soluções são importantes, mas podem aumentar o consumo energético, os custos de instalação e a complexidade da infraestrutura. Assim sempre trazendo muitos prós e contras.
As Superfícies Inteligentes Reconfiguráveis propõem uma abordagem diferente: em vez de apenas compensar os efeitos do ambiente, podemos modificar o comportamento das ondas que interagem com ele.
A ideia é instalar superfícies compostas por elementos eletromagnéticos ajustáveis que alteram a interação entre o sinal incidente e a própria superfície. Assim, o sistema pode direcionar parte da energia eletromagnética para regiões que apresentam dificuldades de cobertura.
O conceito está associado aos chamados Smart Radio Environments, ou ambientes de rádio inteligentes. Nesses ambientes, paredes, painéis e outras estruturas equipadas com superfícies reconfiguráveis deixam de ser apenas obstáculos passivos e passam a fazer parte da estratégia de comunicação [1, 2].
Mas eu acredito que estajas se perguntando, como uma superfície pode realizar essa tarefa sem funcionar como uma estação de rádio convencional?
2. Perguntas e respostas
2.1. O que é uma Superfície Inteligente Reconfigurável?
Uma RIS é uma estrutura plana formada por numerosos elementos eletromagnéticos ajustáveis, geralmente organizados em uma matriz. Esses elementos são frequentemente chamados de meta-átomos quando fazem parte de uma metasuperfície.
Diferentemente de uma antena convencional, que transmite ou recebe sinais utilizando circuitos de radiofrequência, uma RIS passiva é projetada principalmente para modificar a maneira como as ondas incidentes são refletidas ou transmitidas.
Dependendo de sua arquitetura, os elementos podem controlar características como a fase, a amplitude e a polarização da onda. As propriedades efetivamente controláveis dependem do projeto físico e dos componentes utilizados [1, 3].
A palavra inteligente não significa que o painel necessariamente execute uma inteligência artificial de forma autônoma. Em muitas arquiteturas, um controlador eletrônico recebe configurações calculadas por outro componente da rede e ajusta os estados dos elementos da superfície.
Podemos pensar em uma RIS como um espelho eletromagnético programável. Entretanto, essa analogia tem limites: diferentemente de um espelho comum, sua estrutura pode impor alterações controladas à onda incidente, permitindo modificar a direção de propagação e outras características do campo eletromagnético.
2.2. Como uma RIS consegue redirecionar um sinal?
Para entender seu funcionamento, precisamos olhar para a física das ondas.
Quando uma onda eletromagnética atinge uma superfície convencional, sua reflexão depende das propriedades do material e da geometria da interação. Em uma RIS, os elementos são projetados para modificar a resposta eletromagnética da superfície.
Um dos mecanismos mais importantes é o controle da fase.
A fase descreve, de maneira simplificada, a posição de uma oscilação dentro de seu ciclo. Ao ajustar a fase produzida pelos diferentes elementos do painel, torna-se possível fazer com que as contribuições das ondas se combinem de maneira favorável em determinadas direções.
Esse processo permite controlar a formação do feixe refletido, em vez de depender exclusivamente da reflexão natural do ambiente.
Em uma descrição idealizada, a relação pode ser representada pela Lei de Snell generalizada:
Nessa expressão:
- () representa o ângulo de incidência;
- () representa o ângulo de reflexão;
- () representa o comprimento de onda;
- () representa a variação espacial da fase imposta pela superfície.
O ponto principal é que um gradiente de fase programado pode modificar a direção da onda refletida. A expressão representa um modelo idealizado: a eficiência real também depende das propriedades dos elementos, das perdas, da geometria e das condições de propagação [2, 3].
Em termos computacionais, podemos interpretar o problema como uma configuração de parâmetros físicos para atingir um objetivo de comunicação.
A rede precisa determinar quais estados devem ser aplicados aos elementos da RIS para favorecer a recepção do sinal em uma posição específica, reduzir determinadas interferências ou atender a outros objetivos.
Isso aproxima a pesquisa em RIS de problemas de otimização, modelagem matemática, processamento de sinais e inteligência artificial.
2.3. Qual é a diferença entre RIS passiva e um repetidor de sinal?
É importante não confundir esses equipamentos.
Um repetidor ativo recebe um sinal e utiliza circuitos eletrônicos para amplificá-lo ou retransmiti-lo. Dependendo de sua arquitetura, pode também realizar outras operações sobre o sinal.
Uma RIS passiva, por outro lado, modifica a interação eletromagnética com a onda incidente sem precisar funcionar como um transmissor convencional em cada elemento da superfície.
Essa diferença pode proporcionar vantagens de consumo energético e complexidade de hardware. Porém, também impõe limitações importantes.
Como a superfície passiva não cria energia adicional para compensar as perdas, o sinal refletido continua sujeito à atenuação durante a propagação. Além disso, o percurso que passa pela RIS envolve dois segmentos: o caminho entre a estação-base e a superfície e aquele entre a superfície e o usuário.
Por isso, não basta instalar um painel e esperar que a cobertura melhore automaticamente. A posição da superfície, a intensidade do sinal incidente, a geometria dos percursos e a configuração dos elementos influenciam o resultado.
Também existem outras arquiteturas:
RIS ativa: incorpora componentes capazes de amplificar o sinal, mas passa a consumir mais energia e pode introduzir ruído.
STAR-RIS: busca controlar a reflexão e a transmissão das ondas, permitindo atender regiões situadas em lados diferentes da superfície.
Beyond-Diagonal RIS (BD-RIS): utiliza arquiteturas em que os elementos estão eletricamente conectados de forma mais complexa, ampliando as possibilidades de controle, embora isso possa aumentar a dificuldade de implementação.
Essas variantes mostram que RIS não representa um único projeto de hardware, mas uma família de soluções que procuram controlar a propagação eletromagnética [2, 3].
2.4. Como a RIS poderá ser utilizada nas redes 6G?
A RIS é investigada como uma possível tecnologia de apoio às redes 5G-Advanced e 6G. Entre os usos estudados, destacam-se a extensão da cobertura, o controle dos feixes e o suporte à localização e ao sensoriamento [1, 4].
Vamos analisar alguns cenários.
A) Ampliar a cobertura em regiões com obstáculos
Considere uma estação-base que atende um edifício. Um usuário localizado atrás de uma estrutura pode receber um sinal fraco porque o caminho direto está obstruído ou apresenta perdas elevadas.
Um painel RIS instalado em uma posição adequada pode redirecionar parte da energia recebida para o local afetado.
Em determinadas condições, isso permite criar um percurso indireto que funciona como uma linha de visada virtual, conhecida como Virtual Line-of-Sight (VLoS).
Esse recurso é especialmente interessante em cenários que utilizam frequências mais elevadas, como ondas milimétricas, nas quais a propagação pode ser bastante sensível à presença de obstáculos.
O objetivo é melhorar a cobertura sem necessariamente instalar outra estação-base. O resultado, contudo, depende das condições físicas da implantação.
B) Melhorar a eficiência espectral
Eficiência espectral é a quantidade de informação transmitida por unidade de largura de banda, geralmente expressa em bits por segundo por hertz.
Em sistemas que utilizam múltiplas antenas, conhecidos como MIMO (Multiple-Input Multiple-Output), a organização espacial dos percursos de propagação influencia o desempenho da comunicação.
Uma RIS pode modificar esses percursos e, sob determinadas condições, favorecer a qualidade do canal ou a transmissão simultânea de múltiplos fluxos de dados.
Isso pode contribuir para aumentar a capacidade da rede, embora o ganho dependa do canal, da posição dos usuários, da configuração da superfície e do processamento realizado pelo sistema [1, 3].
C) Apoiar localização e sensoriamento
As redes futuras não precisam apenas transmitir dados. Elas também podem utilizar sinais de rádio para obter informações sobre o ambiente.
Esse conceito aparece em sistemas de Integrated Sensing and Communication (ISAC), que integram comunicação e sensoriamento.
Uma RIS pode contribuir para modificar os caminhos pelos quais os sinais alcançam determinado objeto ou retornam ao sistema de recepção. Isso pode ajudar na observação de regiões que seriam difíceis de alcançar diretamente.
Aplicações possíveis incluem localização de dispositivos, rastreamento de objetos e análise de ambientes internos.
Entretanto, uma RIS convencional não deve ser automaticamente interpretada como um radar completo: as capacidades de sensoriamento dependem da arquitetura e dos elementos adicionais presentes no sistema [4, 5].
D) Contribuir para a segurança da comunicação
A RIS também é estudada como ferramenta para melhorar determinadas propriedades de segurança na camada física.
Por exemplo, a configuração da superfície pode favorecer a recepção do sinal por um usuário legítimo e dificultar sua recepção em determinada região não autorizada.
Essa abordagem depende da geometria do ambiente, da informação disponível sobre os canais e das estratégias de controle.
É importante ressaltar que a RIS não substitui mecanismos criptográficos. Ela pode contribuir para a segurança física de um enlace, mas não elimina, por si só, as demais ameaças à confidencialidade e à integridade das informações.
2.5. RIS e internet quântica: existe alguma relação?
Para quem acompanha o desenvolvimento da internet quântica, existe uma conexão particularmente interessante.
A RIS é investigada principalmente como uma forma de controlar a propagação de ondas eletromagnéticas em ambientes de comunicação. A internet quântica, por sua vez, envolve a distribuição e o processamento de estados quânticos entre dispositivos e nós de uma rede.
Esses campos não são equivalentes. Uma RIS convencional não cria entrelaçamento quântico nem transforma uma rede 6G tradicional em uma rede quântica.
Entretanto, já existem pesquisas que investigam o uso de superfícies inteligentes na comunicação quântica por meio de enlaces ópticos em espaço livre.
Um exemplo é o trabalho de Chehimi e colaboradores, publicado em 2025, que estuda uma RIS como elemento de apoio à distribuição de entrelaçamento em redes quânticas ópticas (Free-Space Optical Quantum Networks) [9].
O problema é relevante porque enlaces ópticos em espaço livre podem ser afetados por obstáculos, turbulência atmosférica, perdas e dificuldades de alinhamento.
Nesse cenário, uma superfície reconfigurável poderia contribuir para estabelecer um caminho óptico alternativo entre os nós de uma rede.
O estudo analisa matematicamente as perdas e o ruído do canal quântico, além de formular um problema de otimização para a distribuição de entrelaçamento e o posicionamento da superfície.
Isso não significa que qualquer painel RIS desenvolvido para redes celulares possa ser instalado em uma rede quântica sem modificações. O comportamento dos materiais, o comprimento de onda utilizado e a preservação da fidelidade dos estados quânticos precisam ser considerados especificamente.
Portanto, a conexão entre RIS e internet quântica é uma linha de investigação própria, com desafios físicos e de engenharia que vão além do redirecionamento convencional de sinais de rádio.
2.6. Quais são os principais desafios da implementação?
Embora o princípio da RIS seja atraente, transformar a ideia em uma solução confiável exige resolver problemas importantes.
Estimação do estado do canal (CSI): para escolher a configuração adequada da superfície, a rede precisa obter informações sobre o canal de comunicação. Como uma RIS passiva geralmente não possui cadeias de radiofrequência convencionais para medir o canal diretamente, essa estimação pode ser complexa.
Sobrecarga de controle: uma superfície com muitos elementos pode exigir um número elevado de configurações e informações para otimizar seu funcionamento. Se o ambiente muda rapidamente, as informações coletadas podem deixar de representar o canal real antes que a nova configuração seja aplicada.
Perdas físicas: a existência de dois segmentos de propagação pode reduzir o ganho alcançado pela superfície. A reflexão também não é perfeitamente eficiente em implementações reais.
Limitações do hardware: resolução dos ajustes de fase, imperfeições de fabricação, calibração, consumo energético e velocidade de reconfiguração podem influenciar o desempenho.
Padronização e avaliação: é necessário desenvolver métodos consistentes para caracterizar e comparar diferentes superfícies, modelos de canal e estratégias de controle.
A documentação técnica do ETSI avançou nesses aspectos. Entre os documentos publicados em fevereiro de 2026 estão o relatório GR RIS 007, dedicado à modelagem e aos mecanismos de canais em campo próximo, e a especificação GS RIS 008, voltada a procedimentos de teste de superfícies inteligentes reconfiguráveis [7, 8].
Esses documentos representam avanços na caracterização e avaliação da tecnologia. Entretanto, a existência de relatórios e especificações de teste não significa que a RIS já esteja plenamente integrada e interoperável em todas as redes comerciais 6G.
3. A RIS realmente mudará a forma como utilizamos as redes?

A principal contribuição conceitual da RIS é permitir que o ambiente de propagação seja considerado parte do sistema de comunicação.
Tradicionalmente, o projeto de uma rede sem fio concentra grande parte de seus esforços nas antenas, nos transmissores, nos receptores e nos algoritmos de processamento de sinais. Com a RIS, a configuração física de determinadas superfícies passa a integrar também as decisões de otimização.
Essa mudança cria oportunidades interessantes para a Ciência da Computação.
Problemas de configuração de fase podem ser formulados como problemas de otimização. A estimação de canais pode utilizar técnicas de inferência estatística e aprendizado de máquina. Algoritmos de controle podem buscar configurações que respondam a mudanças no ambiente. Simulações podem ajudar a compreender como a geometria e as propriedades físicas influenciam os resultados.
Ao mesmo tempo, a RIS mostra como sistemas computacionais podem interagir diretamente com fenômenos físicos. Não se trata apenas de executar um algoritmo que processa pacotes de rede: trata-se de calcular configurações que alteram o comportamento de ondas eletromagnéticas no espaço.
Entretanto, devemos distinguir potencial teórico de implementação prática.
Uma simulação que demonstra uma melhoria de desempenho sob determinadas condições não garante que o mesmo resultado seja reproduzido em um edifício real. É necessário considerar perdas, interferências, limitações do hardware, custos de instalação e a velocidade das mudanças no ambiente.
O cenário mais realista não é imaginar que a RIS substituirá todas as antenas ou repetidores. É considerar que ela poderá atuar como uma tecnologia complementar, adequada a determinadas condições de propagação e a objetivos específicos de comunicação.
No contexto da internet quântica, a questão fica ainda mais interessante: será possível aproveitar princípios semelhantes de controle da propagação para construir enlaces ópticos mais eficientes para a distribuição de estados quânticos? As pesquisas já indicam caminhos teóricos para investigar essa possibilidade, mas ainda existem desafios relacionados às perdas, à turbulência atmosférica e à preservação da informação quântica [9].
A questão central, portanto, não é simplesmente se a RIS funciona. É compreender em quais condições ela oferece vantagens mensuráveis, quais recursos são necessários para controlá-la e como integrá-la a sistemas reais.
4. Outras informações
Glossário rápido
RIS (Reconfigurable Intelligent Surface): superfície projetada para controlar a interação entre ondas eletromagnéticas e seus elementos físicos.
Metasuperfície: estrutura relativamente fina que permite modificar o comportamento de ondas eletromagnéticas por meio de seus elementos constituintes.
MIMO: técnica de comunicação que utiliza múltiplas antenas para melhorar a transmissão e a recepção de sinais.
CSI (Channel State Information): informação que caracteriza propriedades do canal de comunicação e auxilia na escolha de estratégias de transmissão.
VLoS (Virtual Line-of-Sight): percurso indireto que pode proporcionar conectividade entre dois pontos mesmo quando o caminho direto está obstruído.
ISAC (Integrated Sensing and Communication): abordagem que integra funções de sensoriamento e comunicação em um mesmo sistema.
QKD (Quantum Key Distribution): distribuição quântica de chaves, uma técnica que utiliza propriedades da física quântica para estabelecer material criptográfico sob condições específicas.
Por onde continuar os estudos?
Para aprofundar o tema, três caminhos são especialmente interessantes.
1. Física e eletromagnetismo: estudar propagação de ondas, fase, interferência, reflexão e metasuperfícies ajuda a compreender os mecanismos físicos por trás da RIS.
2. Computação e otimização: investigar estimação de canais, otimização de feixes, aprendizado de máquina e algoritmos de controle permite compreender como as superfícies podem ser configuradas para atingir objetivos de comunicação.
3. Redes quânticas: explorar distribuição de entrelaçamento, comunicação óptica em espaço livre e QKD permite investigar uma possível aplicação da tecnologia além das redes celulares convencionais.
Essas três perspectivas mostram que a RIS está na interseção entre física, matemática, eletrônica e Ciência da Computação.
5. Referências
[1] PAN, C. et al. Reconfigurable Intelligent Surfaces for 6G Systems: Principles, Applications, and Research Directions. IEEE Communications Magazine, v. 59, n. 6, p. 14–20, 2021. DOI: 10.1109/MCOM.001.2001076.
[2] DI RENZO, M. et al. Smart Radio Environments Empowered by Reconfigurable Intelligent Surfaces: How It Works, State of Research, and The Road Ahead. IEEE Journal on Selected Areas in Communications, v. 38, n. 11, p. 2450–2525, 2020. DOI: 10.1109/JSAC.2020.3007211.
[3] HUANG, C. et al. Reconfigurable Intelligent Surfaces: Principles and Opportunities. IEEE Communications Surveys & Tutorials, v. 23, n. 3, p. 1546–1577, 2021. DOI: 10.1109/COMST.2021.3077737.
[4] EUROPEAN TELECOMMUNICATIONS STANDARDS INSTITUTE (ETSI). ETSI GR RIS 001 V1.2.1: Reconfigurable Intelligent Surfaces (RIS); Use Cases, Deployment Scenarios and Requirements. Fev. 2025.
[5] EUROPEAN TELECOMMUNICATIONS STANDARDS INSTITUTE (ETSI). ETSI GR RIS 002 V1.2.1: Reconfigurable Intelligent Surfaces (RIS); Technological Challenges, Architecture and Impact on Standardization. Fev. 2025.
[6] EUROPEAN TELECOMMUNICATIONS STANDARDS INSTITUTE (ETSI). ETSI GR RIS 003 V1.2.1: Reconfigurable Intelligent Surfaces (RIS); Communication Models, Channel Models, Channel Estimation and Evaluation Methodology. Fev. 2025.
[7] EUROPEAN TELECOMMUNICATIONS STANDARDS INSTITUTE (ETSI). ETSI GR RIS 007 V1.1.1: Reconfigurable Intelligent Surfaces (RIS); Near-field Channel Modeling and Mechanics. Fev. 2026.
[8] EUROPEAN TELECOMMUNICATIONS STANDARDS INSTITUTE (ETSI). ETSI GS RIS 008 V1.1.1: Reconfigurable Intelligent Surfaces (RIS); Standardized Testing Test Standards for Reconfigurable Intelligent Surfaces. Fev. 2026.
[9] CHEHIMI, M. et al. Reconfigurable Intelligent Surface (RIS)-Assisted Entanglement Distribution in FSO Quantum Networks. IEEE Transactions on Wireless Communications, v. 24, n. 4, p. 3132–3148, 2025. DOI: 10.1109/TWC.2025.3528103.
[10] PUTRANTO, P. et al. Reconfigurable Intelligent Surfaces for 6G and Beyond: A Comprehensive Survey from Theory to Deployment. IEEE Open Journal of the Communications Society, publicação antecipada, 2026. DOI: 10.1109/OJCOMS.2026.3740346.
[11] PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 Statement: An Updated Guideline for Reporting Systematic Reviews. BMJ, v. 372, n. 71, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71.
6. Metodologia da pesquisa — adaptação editorial do PRISMA 2020
6.1. Objetivo da pesquisa
A pesquisa foi direcionada pela seguinte pergunta:
O que são as Superfícies Inteligentes Reconfiguráveis, como funcionam e quais são suas principais aplicações, limitações e possibilidades de integração com redes 6G e redes quânticas?
O objetivo foi produzir uma síntese introdutória para leitores de Ciência da Computação e pessoas interessadas em redes de computadores, telecomunicações e internet quântica.
6.2. Fontes de informação
Foram utilizadas as seguintes fontes:
- Estudo de referência fornecido para a elaboração deste artigo.
- Trabalhos científicos de revisão sobre os fundamentos, as aplicações e os desafios das superfícies inteligentes reconfiguráveis.
- Páginas de publicação e informações bibliográficas de artigos científicos disponíveis por meio de fontes acadêmicas, incluindo IEEE Xplore e repositórios universitários.
- Documentação técnica oficial do ETSI sobre casos de uso, modelagem de canais, estimação de canais e procedimentos de teste.
- Publicação original das diretrizes PRISMA 2020.
6.3. Estratégia de busca
As buscas direcionadas foram realizadas em 22 de outubro de 2026, utilizando combinações dos seguintes termos em inglês:
"reconfigurable intelligent surfaces" AND "6G" AND applications"reconfigurable intelligent surfaces" AND "channel estimation""RIS" AND "near-field channel modeling""RIS" AND "standardized testing""RIS-assisted entanglement distribution" AND "quantum networks""PRISMA 2020" AND "systematic reviews"
A utilização de termos em inglês foi priorizada por corresponder à terminologia empregada na literatura científica internacional sobre RIS.
6.4. Critérios de seleção
Foram priorizados artigos científicos, trabalhos de revisão e documentos técnicos que abordassem diretamente pelo menos um dos seguintes tópicos:
- Fundamentos físicos e funcionamento das RIS.
- Aplicações em redes sem fio, especialmente 5G-Advanced e 6G.
- Desafios de estimação de canais, controle e implementação.
- Modelagem e avaliação técnica de superfícies reconfiguráveis.
- Aplicações relacionadas à comunicação quântica em espaço livre.
Foram deixadas de lado informações sem relação direta com a pergunta principal, bem como afirmações que não pudessem ser sustentadas pelas fontes consultadas.
6.5. Síntese das informações
As informações selecionadas foram organizadas em quatro eixos: fundamentos físicos, aplicações em redes sem fio, limitações práticas e possíveis conexões com redes quânticas.
Os resultados foram sintetizados qualitativamente, procurando diferenciar os princípios de funcionamento das aplicações ainda dependentes de validação experimental ou de desenvolvimento tecnológico.