O que é HL7?

Ladies and Gentlemen! para aqueles que estão ingressando agora no mundo do healthTech, acredito que uma hora ou outra vai ouvir falar sobre o famoso HL7. Mas o que é esta bomba?

O Health Level 7 (HL7) é uma organização internacional sem fins lucrativos que desenvolve padrões para troca, integração, compartilhamento e recuperação de informações clínicas e administrativas entre sistemas de saúde.

Muitas pessoas podem pensar que ele é um protocolo, mas isso está incompleto , pois na realidade, HL7 é uma organização que publica diversos padrões, onde um desses padrões recebeu o nome da organização, comumente conhecido como HL7 Version 2.x.

Hoje em dia já possuem diversos padrões como os seguintes:

  • HL7 Version 2.x
  • HL7 Version 3
  • CDA (Clinical Document Architecture)
  • CCD
  • FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources)
  • Arden Syntax
  • .
  • ..
  • CQL

Problema resolvido

E qual seria o problema real que estes padrões resolveram? Então, por volta dos anos 80, os hospitais do mundo todo utilizavam sistemas totalmente independentes, ou seja, cada um deles usa sua própria forma de interpretar e usar os dados que obtinham.

Agora imagina ter que juntar os seguintes sistemas:

  • Sistema de laboratório
  • Sistema de radiologia
  • Sistema financeiro
  • Sistema de farmácia
  • .
  • ..
  • Sistema do centro cirúrgico

Enfim, diversos sistemas que cada um era comprado de um fabricante diferente, onde armazenavam os dados de formas diferentes e até mesmo se comunicavam de formas diferentes.

Ou seja, um exame feito na clínica A precisava ser interpretado e recriado nos sistemas do hospital B para que o médico tivesse essas informações, além disso, o mesmo paciente teria seus dados replicados em diversos sistemas pois não havia uma comunicação entre eles, assim como exames repetidos. E algo que acontecia com muita frequência era a perca de informações de um paciente, do médico, ou até mesmo dos funcionários gerais. Devo imaginar que você pegou o tanto de retrabalho e a bomba que o pessoal da TI devia lidar com isso todos os dias

Isso, em 1987, levou um grupo de profissionais dos Estados Unidos a criar um padrão para resolver esses problemas. Este grupo era extremamente multidisciplinar, já que possuíam:

  • Engenheiros de software;
  • Médicos;
  • Administradores hospitalares; e
  • Empresas de tecnologia

Onde o objetivo estava mais claro como nunca
“Criar um padrão que se comunique entre os sistemas hospitalares”

E foi assim que nasceu o grande Health Level 7, onde “Level 7” faz referência à camada de aplicação (7) do Modelo OSI e a parte “Health”(Saúde) eu imagino que vocês devem saber o porquê. ksksksksksk

Este projeto ganhou tanta notoriedade, que durante os anos 90, os hospitais começaram a informatizar praticamente tudo, mesmo os sistemas sendo ainda diferentes. O padrão HL7 v2.x, até o final dos anos 90, começou a ser adotado por todos os grandes fornecedores de softwares médico, e rapidamente tornou-se o padrão dominante.

Este padrão HL7 v2.x, foi o padrão mais utilizado da história da saúde, e mesmo surgindo nos anos 80 ele, até hoje em dia, é extremamente usado, mesmo existindo tecnologias mais modernas. E não só isso, mas muitos dos Hospital Information System(HIS) que suportam versões mais modernas, também mantém suporte para esta versão.

O porquê do sucesso do HL7 v2

De certa forma ele era extremamente simples, pense o seguinte, cada linha é um segmento, e cada campo é separado por “|”

MSH|^~\&|LAB|HOSPITAL|EMR|HOSPITAL|202607221030||ORU^R01|12345|P|2.5 PID|1||123456||SILVA^JOAO OBR|1||98765 OBX|1|NM|GLUCOSE||96|mg/dL

Esse é um bom exemplo de como ele era, porém, mesmo ele sendo fácil de implementar e até prático, acabou fazendo com que cada hospital interpretasse o padrão de diferentes formas. Ou seja, haviam diversos “dialetos” do mesmo padrão

OBS: Isso ainda ocorre em um certo nível

E por isso foi criado o HL7 v3, que era mais consistente, rigorosos e totalmente baseado em modelos da época, e se comunicava como um XML. Na prática era extremamente complexo, e muito robusto para ser implementado na época, fazendo com que pouquíssimos hospitais adotassem completamente esta versão.

Depois veio o Clinical Document Architecture (CDA),onde ao invés de trocar mensagens pequenas, ele troca documentos clínicos completos baseados em XML.

E somente em 2011 surgiu uma ideia diferente, algo que alguns diriam que seria loucura, outros até rezariam para quem criou esta ideia. E qual foi ela? Simples, em vez de reinventar tudo, por que não usar tecnologias da Web?

Assim nasceu o pequeno gigante Fast Healthcare Interoperability Resources, o mais conhecido como FHIR, e para os mais íntimos “Fire”. Resumindo, ele agora usa conceitos como:

  • Rest
  • HTTP
  • JSON
  • XML
  • OAuth
  • OpenAPI
  • URLs

Melhor? O tempo vai dizer, mas que ficou mais fácil ficou.

Mas o HL7 v2 pelo o que eu já contei, ainda não acabou, na verdade ele ainda continua sendo o mais utilizado. O v2 e o FHIR estão se coexistindo e muitos hospitais estão separando:

  • Equipamentos –> HL7 v2
  • Integração externa –> FHIR

CURIOSIDADES

  • HL7 não é um protocolo
  • HL7 v2 nunca foi descontinuado
  • O FHIR levou quase 10 anos para amadurecer
    A primeira ideia apareceu em 2011 mas a primeira versão veio anos depois
  • Empresas como Google, Microsoft, Oracle, Epic e Philips participam do HL7
  • HL7 não é obrigatório mundialmente, mas cada pais tem seus “perfis nacionais”

Linha do tempo resumida

AnoEvento
1987Fundação da organização HL7
Final dos anos 1980Primeiras versões do HL7 v2
Década de 1990Grande expansão do HL7 v2
Final dos anos 1990Desenvolvimento do HL7 v3
2000Popularização do CDA
2011Início do projeto FHIR
2014Primeira versão DSTU do FHIR
2019FHIR R4 torna-se a primeira versão normativa
AtualidadeHL7 v2 e FHIR coexistem como principais padrões

Emfim, para todos que tenham se interessado no assunto ou precisão de um pouco mais de informação, deixarei as fontes oficiais logo a baixo. E para aqueles que ficaram se perguntando “Onde entra o DICOM?”, eu lhes respondo!

Te vejo logo logo no post “Saiba o que é DICOM!”

Fontes oficiais

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